Contribuí.
Paguei.
Confiei.
O Estado recebeu tudo.
Anos depois, decidiu que parte da minha vida não vale mais.
Chamaram de revisão.
Mas foi subtração.
Chamaram de segurança jurídica.
Mas foi medo de pagar a conta.
Chamaram de decisão técnica.
Mas foi escolha política contra o mais fraco.
O dinheiro entrou.
O direito sumiu.
Se isso não é roubo, é o quê?
Quando um cidadão perde dinheiro, é erro individual.
Quando o Estado perde dinheiro, muda-se a regra.
O STF não protegeu o aposentado.
Protegeu o sistema.
O INSS não revisou.
Confiscou.
Contribuições anteriores ao Plano Real não foram corrigidas.
Não foram devolvidas.
Foram neutralizadas, como se nunca tivessem existido.
Apagaram décadas de trabalho com uma canetada elegante.
Milhares ainda sofrem descontos indevidos direto na aposentadoria.
O dinheiro some.
A explicação não vem.
A punição, nunca.
O sistema não pede desculpas.
Ele protocola.
Aposentadoria não é favor.
Não é benefício.
Não é concessão.
É dívida.
Dívida com quem trabalhou.
Dívida com quem contribuiu.
Dívida com quem acreditou no pacto social.
Quando o Estado rouba o passado de seus aposentados,
não quebra apenas contratos.
quebra a própria legitimidade.
