Me perguntam com frequência por que continuo produzindo conteúdo se não há monetização, se quase ninguém assiste, se isso “não dá retorno”. Alguns dizem que é perda de tempo. Outros insinuam vaidade ou ego.
A resposta curta é simples: porque isso importa para mim.
Durante muito tempo, também acreditei que sucesso significava números: visualizações, inscritos, reconhecimento público. Esse é o jogo dominante das plataformas — e não há nada de errado em quem escolhe jogá-lo. Mas, com o tempo, percebi que esses objetivos, isoladamente, eram vazios para mim. Não dialogavam mais com quem eu me tornei.
Hoje, meus canais existem por outro motivo: ideias precisam circular, mesmo quando não são populares, mesmo quando incomodam, mesmo quando encontram poucas pessoas pelo caminho. Sempre foi assim na história. As ideias que realmente mudam algo quase nunca nascem com aplauso.
Não produzo conteúdo para agradar algoritmos, nem para vender certezas fáceis. Produzo porque pensar criticamente, questionar consensos e nomear desconfortos sociais é, para mim, uma forma de responsabilidade — e também de cuidado com o mundo que deixamos.
Sim, tenho 63 anos. Estou aposentado. Tenho problemas sérios de saúde e um futuro incerto, como todos — só que alguns preferem não olhar para isso. Se escrever, gravar e refletir é também uma maneira de lidar com a finitude, não vejo nisso fraqueza. Vejo lucidez.
Talvez, inconscientemente, eu esteja deixando rastros. Talvez esteja tentando dialogar com alguém que ainda não chegou. Talvez esteja apenas sendo fiel ao que considero importante. E isso basta.
Não escrevo para ser eterno. Escrevo porque silenciar seria pior.
Não escrevo para ser famoso. Escrevo para ser honesto.
Não escrevo porque “vale a pena”. Escrevo porque faz sentido.
Se isso alcança poucas pessoas, tudo bem. A história nunca foi feita pela média, mas pelas exceções. E, às vezes, tocar uma única pessoa de verdade vale mais do que milhares que apenas passam.
Se isso é ego, então é um ego muito estranho: um que aceita invisibilidade, crítica e indiferença em troca de coerência.
Continuo porque posso.
Continuo porque quero.
Continuo porque, para mim, pensar — e compartilhar pensamento — ainda não custa pensar.
