A famosa ideia de “governo do povo, para o povo e pelo povo“, popularizada por Abraham Lincoln, enfrenta desafios no mundo atual, que está cada vez mais superpovoado e em constante mudança.
A democracia, que teve origem na Grécia Antiga, nunca foi plena, uma vez que mulheres e escravos não participavam das decisões, que eram feitas por uma elite rica e poderosa. Hoje, o conceito de democracia é igualmente problemático em nações como Índia e Estados Unidos, onde a discriminação racial e social persiste. Na Índia, os dalits, a casta mais baixa, são historicamente marginalizados, enquanto nos Estados Unidos, nativos americanos e afro-americanos continuam a enfrentar preconceito e violência.
A verdadeira democracia, acessível a todos, poderia ser viabilizada pelas tecnologias modernas. Já realizamos uma série de transações importantes online, como pagamentos, contratos e licitações. Assim, permitir o voto pela internet via aplicativos seria apenas mais um passo lógico. O que falta, no entanto, é a vontade política para colocar isso em prática, pois muitos daqueles no poder não querem que o público tenha controle sobre suas ações e interesses.
Embora sempre surjam questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas, na verdade elas são muito mais seguras do que os antigos sistemas de votação em papel, que estão sujeitos a fraudes e manipulações. Hoje, contamos com tecnologias como certificação digital, VPNs e assinaturas eletrônicas, que podem garantir uma eleição transparente e segura, inclusive para o voto online.
Se as pessoas pudessem votar diretamente em propostas e leis, sem precisar de tantos intermediários ou representantes políticos, isso transformaria a dinâmica da democracia. Com essa participação direta, a necessidade de um grande número de políticos seria drasticamente reduzida, o que resultaria em economia de dinheiro público, que hoje é gasto em altos salários e privilégios.
Além disso, a Inteligência Artificial poderia auxiliar esses processos, tornando a governança mais eficiente e eficaz. Profissionais qualificados, como legisladores e juízes, continuariam necessários para adequar as propostas ao sistema legal, mas o poder de decisão estaria mais nas mãos da população.
Portanto, a questão que impede uma verdadeira democracia não é a falta de tecnologia, mas sim a falta de vontade política para democratizar o poder de forma real e inclusiva.
