Não escrevo porque espero aplauso.
Escrevo porque o silêncio, este sim, me seria cúmplice.
Vivemos um tempo em que o irrelevante é premiado
— não porque seja verdadeiro,
mas porque é confortável.
A distração virou política pública invisível.
O ruído, uma forma de governo.
Falam-nos de engajamento,
mas o que se engaja é o reflexo,
não o pensamento.
Curtidas não mudam estruturas.
Viralizações não curam assimetrias.
Este texto nasce do cansaço
— não do cinismo.
Cansaço de ver ideias profundas
competindo com a banalidade
e sendo acusadas de elitismo
por exigirem atenção.
Não escrevo para todos.
Escrevo para quem ainda consegue sustentar
uma pergunta sem resposta imediata.
Para quem desconfia do consenso fácil.
Para quem sente que algo está errado,
mas não encontra palavras.
Se somos poucos,
que sejamos densos.
Se somos lentos,
que sejamos consistentes.
Prefiro a precisão de uma semente
à espuma de um incêndio.
Não ofereço entretenimento.
Ofereço lastro.
Não prometo conforto.
Prometo honestidade.
Se isso não rende números,
que não renda.
Civilizações não se movem por métricas,
mas por recusas silenciosas
que, um dia, encontram eco.
Continuarei.
Não por esperança ingênua,
mas por responsabilidade.
Porque pensar ainda é um ato político.
E calar, neste tempo,
seria desistir do que me torna humano.
